• Joseane Terto

Aprendizagem emocional?


A aprendizagem emocional é parte integral da aprendizagem cognitiva, ou seja, a emoção dá forma a cognição e a aprendizagem.


Para uma abordagem pedagógica voltada a educação emocional como base na educação formal temos que pensar sobre o objeto de estudo em questão, ou seja, nossos estudantes.


Saber nomear emoções e sentimentos é uma habilidade que deve ser aprendida, não nascemos como a capacidade de nomear o que estamos sentindo.


Desta forma, faz se necessário desenvolver esta habilidade dentro e fora da sala de aula. Algo que é natural e explicito para nós adultos, pode não ser para os nossos alunos, principalmente, quando falamos de educação infantil.



Quem trabalha em berçário/maternal/grupo1 conhece bem essa realidade, geralmente, as crianças estão em processo de aquisição de fala e utilizam do choro e da birra para impor o que quer ou deseja, neste momento, faz-se necessário a atuação do pedagogo para possibilitar a criança uma nova forma de expressão.


De que forma?
A criança que ainda está em processo de aquisição de linguagem, utiliza do choro como mecanismo de comunicação para dizer o que quer ou o que está incomodando, e em meio a erros e acertos os adultos a sua volta compreendem o seu pedido. 
Com o passar do tempo esse convívio fica tão afinado, que a intensidade e ritmo do choro faz com que o adulto decifre se naquele momento o choro é de fome, é a fralda para trocar, é uma birra ou até mesmo se é a necessidade de um afago.

Embora, seja natural este processo, quando falamos de educação estamos falando do pleno desenvolvimento do aluno no âmbito educacional, então poderemos dar ferramentas psicológicas para que os alunos se desenvolvam de forma a explorar recursos mais elaborados do que a variação do choro.


Podemos trabalhar com figuras (de preferência humana) para ensinarmos os nossos alunos a elaborar o que está sentindo. (uma criança dormindo, comendo, brincando, tomando água, trocando a fralda, indo ao banheiro, no colo, beijando, abraçando etc.)


As fotos precisam ser relativamente grandes (folha A4) para que a criança possa observar melhor, e nos momentos em que exige nomeação dos sentimentos e/ou sensações estas fotos devem aparecer como norteadoras seguidas da verbalização do que elas representam.


Vou exemplificar uma situação: 
Geralmente, quando estamos com sono, sentimos um desconforto geral, isso quer dizer tanto físico como mental, há uma diminuição drástica do interesse pelo que está fazendo e também uma notável perda de força muscular, chamada de hipotonia do sono.

Quando já sabemos elaborar essas sensações, falamos que estamos com muito sono, mas, na criança pequena essa nomeação, muitas vezes, não ocorre, pois é preciso ensinar. Por isso, ao sentir essas sensações a criança chora porque é desconfortável e nós adultos dizemos com grande facilidade de que esse choro é de sono.


Como intervir na aprendizagem emocional?


A atuação do pedagogo deverá acontecer em dois momentos:


1º momento:

Quando a criança está com desconforto causado pela sensação e necessidade do sono, devemos apontar a foto da criança dormindo, e dizer para a criança que ela está com sono, e que você irá ajudá-la neste processo.


“Vamos deitar, você está com sono”; “Olha você vai dormir”; “Vamos ficar quietinhas que isso vai passar, é sono”, todas estas conversas precisam do apoio da foto da criança dormindo.

Como a sensação causada pelo sono é desagradável, talvez a criança não observe direito o que você está apontando, mas certamente se sentirá segura, pois você já entendeu a mensagem do desconforto.


No 2º momento:

A criança deverá ter contato com a foto novamente e o professor irá nomear o que a criança está fazendo na foto.


Indagando: “Como se dorme?; “Precisa chorar?; “É bom dormir?.


Antecipar alguns minutos o momento de sono, somente para que as crianças comecem a perceber que o desconforto tem nome, é de extrema importância para a elaboração cognitiva de poder identificar as sensações e nomeá-las, seja por meio do apontamento das figuras ou a própria pronúncia verbal.


Vale ressaltar, que quando a criança escolher apontar a figura, cabe ao professor falar o nome da sensação e pedir para a criança repetir.


Por exemplo:
A criança aponta a figura de uma criança com brinquedo, o professor diz: “Você quer brincar”; “Fala, brincar”; “Qual brinquedo você quer?” – essas interações estimulam a habilidade de desenvolver a fala, e facilita a sociabilização das crianças.

Todas as situações de emoções, sensações e sentimentos podem utilizar de recurso visual por meio de painéis móveis onde a criança e o professor possam interagir diariamente, como, por exemplo, “Aponte o que você quer?”; “Fala o que você está sentindo?”; “Pegue a folha que você está sentindo”.


Nestes momentos a criança começará a utilizar de recursos cognitivos elaborados para dizer o que está sentindo ou querendo, ao invés de utilizar o choro como ferramenta de conquista.


Saliento que é um processo e precisa de estímulo e rotina para que as mesmas compreendam que o recurso visual e verbal, é melhor e mais assertivo que o choro.


Inclusive aquelas escolas onde a família é participante integral das aprendizagens, pode o professor elaborar um mini painel para ficar na casa da criança.



A partir do momento que somos capazes de nomear o que estamos sentindo, somos também capazes de lançar mão de ferramentas psicológicas para lidarmos com determinada situação, ou pelo menos, já teremos pré-requisitos para iniciarmos o processo de inteligência emocional por meio da identificação daquilo que estamos sentindo.



E você, sabe o que está sentindo?


Elaborado por:

Professora Kelly Cristina, Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional, Especialista em Neuroaprendizagem, Neuropsicóloga formada CDN-UNIFESP. Faz parte da equipe diretiva pedagógica da ApliquEducação.


Acredita que a Educação e a Neurociência devem caminhar juntas, o bem-estar favorece a aprendizagem e por meio dos jogos pedagógicos essa união acontece de forma prazerosa e eficaz!

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