• Joseane Terto

Minha pátria é minha língua?

Atualizado: Mar 3


Desde 17 de novembro de 1999, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) celebra, anualmente, em 21 de fevereiro, o Dia Internacional da Língua Materna, que tem por objetivo promover a diversidade linguística e cultura entre as nações, sendo reconhecida formalmente pela Assembleia das Nações Unidas, em 2002, pelo decreto 56/262.


E neste mesmo movimento anual a Unesco convida a todos os países que são membros da organização a discutirem e refletirem sobre a preservação das peculiaridades linguísticas e culturais de cada sociedade, a fim de valorizar o multilinguismo.


Nascemos prontos para aprender qualquer idioma, somos capazes de ouvir fonemas e distingui-los desde o ventre materno, portanto, o estímulo da língua materna em ambiente familiar e ao mesmo tempo a aprendizagem da língua oficial do país na rotina social, permite que a criança estabeleça conexões neuronais em ambas as línguas aprendendo de forma natural e espontânea.


Origem


Em 1952, um grupo de estudantes da Universidade de Dakha, em Bangladesh, organizaram uma campanha, Movimento da Língua, para incluir o bengalês como língua materna, uma vez que o Muhammad Ali Jinnah, general paquistanês, declarou que o idioma URDU passaria a ser língua oficial tanto no Paquistão do Oeste, como no Leste que já tinha como língua materna até o momento o bengalês.


Para impedir os protestos, o governo do Paquistão proibiu reuniões públicas e comícios.


Para impedir os protestos, o governo do Paquistão proibiu reuniões públicas e comícios. Mesmo assim, os estudantes organizaram grandes comícios e reuniões com apoio da população em geral.


Porém, em 21 de fevereiro de 1952 os jovens estudantes foram assassinados pelos policiais que abriram fogo contra os comícios deixando também centenas de feridos. Um cenário cruel onde pessoas perderam suas vidas em prol da sua língua materna.


Desde então, o dia 21 de fevereiro, é o Dia do Movimento da Língua é feriado nacional em Bangladesh, todos os anos os bangladeshianos visitam o monumento criado para homenagear estes jovens demonstrando profunda tristeza e gratidão a eles.


Em 9 de janeiro, de 1998, Rafiqul Islam e Abdus Salam bengalis que moravam em Vancouver- Canadá, escreveram uma carta para Kofi Anan pedindo-lhe que ajudasse a salvar as línguas que estavam em extinção no mundo, sugerindo o dia 21 de fevereiro como o Dia Internacional da Língua Materna, fazendo homenagem a todos aqueles que morreram em 1952.


A proposta foi apresentada ao parlamento onde foi aceita pela primeira-ministra de Bangladesh Sheikh Hasina, que levou a Unesco de Bangladesh. Sendo aceito após 1 ano e 10 meses. A 30ª Assembleia Geral da Unesco decidiu por unanimidade que o dia 21 de fevereiro seja proclamado o Dia Internacional da Língua Materna em todo o mundo.


As línguas são os instrumentos mais poderosos para preservar e desenvolver nosso patrimônio tangível e intangível. Todos os movimentos para promover a disseminação das línguas maternas servirão não apenas para encorajar a diversidade linguística e a educação multilíngue, mas também para desenvolver uma consciência mais plena das tradições linguísticas e culturais em todo o mundo e para inspirar a solidariedade baseada na compreensão, tolerância e diálogo (Unesco, 1999).

Línguas em extinção


Das 6 mil línguas existentes no mundo, estima-se que em breve 43% serão extintas!


No Brasil, são 190 dialetos em risco, segundo o relatório da Unesco. Embora globalização seja um dos fatores negativos, internet pode ajudar na preservação.


Para a Unesco a internet pode ajudar a preservar estes idiomas, com registros e dicionários, por exemplo. Mas destaca que o mais importante é a Educação Multilíngue, quando o idioma começa pela língua materna da criança, e depois engloba os demais da região/país.


No entanto, a grande dificuldade é que 40% da população mundial, não tem acesso a educação em sua língua o que contribui diretamente para o desaparecimento desses dialetos.


Doze línguas brasileiras foram consideradas ‘extintas’ pelo relatório da Unesco/2017 – quando não se tem conhecimento de falantes vivos. São elas: Amanayé, Arapáso, Huitoto, Krenjê, Máku, Múra, Nukiní, Torá e Yurutí da região amazônica; Umutina, antes encontrada no Mato Grosso, e Xakriabá, do norte de Minas Gerais. 

A língua materna crioulo que também está em extinção, alguns voluntários e pesquisadores editaram uma apostila da língua materna crioulo Haitiano.


Algumas apostilas estão disponíveis para acesso e divulgação para proteção dessa língua materna. Se a internet pode ajudar na preservação da língua materna Crioula, então vamos lá!


Acesse o link e compartilhe!


Glossário Português Crioulo Haitiano: https://bit.ly/3bF6HlP 

Elaborado por:




Professora Kelly Cristina, Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional, Especialista em Neuroaprendizagem, Neuropsicóloga formada CDN-UNIFESP. Faz parte da equipe diretiva pedagógica da ApliquEducação.

Acredita que a Educação e a Neurociência devem caminhar juntas, o bem-estar favorece a aprendizagem e por meio dos jogos pedagógicos essa união acontece de forma prazerosa e eficaz!

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