• Joseane Terto

Alfabetização matemática

Por onde começar?


Estamos iniciando o ano letivo e com ele vem a organização da sala de aula, eis aí uma grande oportunidade para desenvolver as habilidades de alfabetização matemática!


A organização da sala de aula é sempre pensada como estímulo para a aprendizagem, desta forma, é importante que o professor crie um ambiente estimulador e intencional, ou seja, pense na organização da sala de acordo com os principais objetivos de aprendizagem para o ano letivo.


No caso da alfabetização matemática é importante, por exemplo, fazer uso de uma régua para medir o tamanho das crianças.



Assim, o estímulo e interesse pelos números será gerado naturalmente, pois as crianças amam perceber o tamanho, mesmo que ainda não compreendam a relação entre a medida exposta por um numeral e a altura que sua cabeça alcança.


Ao realizar essa atividade:






1) Cabe ao professor aproveitar este momento para falar sobre os números e suas correspondências, visto que na régua onde mede-se o tamanho das crianças o valor posicional numérico inicia-se de baixo para cima e na régua de mesa eles estão da esquerda para a direita.


2) Para que haja uma melhor compreensão essa régua poderá retirada da vertical e colocada na horizontal no chão solicitando que as crianças se deitem para comprovar as medidas.



Neste momento o professor pode levantar alguns questionamentos com as crianças perguntando: As medidas mudaram ou são as mesmas? Como vocês conseguiram saber? Quem era maior continua? Etc.


3) Em outro momento pode apresentar a régua comum de 30cm e pedir para colocar em cima da régua de medida em metros para saber quantas réguas de 30cm cabem na régua de metros. Demonstrando que é possível adquiri conhecimento de medidas na prática, neste por exemplo: o conhecimento de que centímetros é menor que metros e que metro é composto por centímetros.


4) Ter um quadro numérico de 0 a 100 onde as crianças possam identificar os numerais de acordo com a quantidade de crianças na sala. Para posteriormente, fazer a soma de meninos + meninas. Primeiramente, é importante que a criança compreenda a sequência numérica e a identificação dos numerais.


Desta forma, o segundo passo seria identificar a quantidade de crianças do dia anterior com a do dia, e perceber se no dia teve mais crianças, menos ou a mesma quantidade do dia anterior com o apoio do quadro numérico.


Ao mesmo tempo que a criança começará a associar número-numeral também irá iniciar o processo de reconhecimento de valores posicionais, quanto maior for o número no quadro numérico ele estará mais abaixo e com número maior em sua composição. Para posteriormente, compreender a adição e subtração simples.

O relógio como instrumento pedagógico


O relógio analógico associado a rotina diária traz para a criança a grande importância dos números para a nossa vida, inclusive inicia-se a noção de tempo, contribui para diminuir a ansiedade dos pequenos em relação aos horários de parque, lanche, brinquedoteca e saída, por exemplo.








O relógio lúdico, o calendário e a rotina escolar diária favorecem a aquisição desta habilidade, pois a organização acontece de forma lúdica, intencional e diária. A organização de tempo e espaço deve iniciar na primeira infância, pois esta habilidade será utilizada em todos os momentos da vida, inclusive como recurso para diminuir os processos de ansiedade e sensação de abandono muitas vezes apresentada pelos pequenos.




O quadro de aniversariantes também pode ser utilizado neste momento, indagando sobre: Quem será o próximo aniversariante? Quantos dias faltam para o aniversário deste amigo (a)? Em qual dia da semana irá cair?

O cantinho da leitura: uma possibilidade de aprender matemática


O canto de leitura pode contribuir muito com a alfabetização matemática, com propostas simples como:


1) Separar os livros em ordem alfabética e numerá-los.

2) Separar os livros de contos de fadas e numerá-los.

3) Separar os livros de fábulas e numerá-los.

4) Separar os gibis e numerá-los.


Criar um catálogo ilustrativo com as imagens das capas dos livros e seus respectivos nomes e organizá-los conforme a ordem numérica estabelecida, o aluno irá procurar o livro pelo número correspondente e em outros momentos poderá buscar pela letra inicial, ou pelo nome tendo como referência a prateleira numérica na qual o livro está.


Os jogos pedagógicos como elemento da aprendizagem


Os jogos matemáticos poderão estar em cantos ou prateleiras, bem como as fotos de jogos dispostos em varal, onde os estudantes poderão organizar conforme grau de dificuldade e/ou separar por habilidades (estratégias, raciocínio lógico, planejamento, adição, subtração, multiplicação etc.) para compor os materiais que serão utilizados em aula e ao mesmo tempo organizar o espaço alfabetizador.


Muitos professores utilizam estes materiais no dia a dia da sala de aula, porém, na formação de professores percebo que o fazer nem sempre está associado a intencionalidade pedagógica. Desta forma, é importante que cada material na sala seja pensado no seu uso e na intenção de uso, ou seja, para auxiliar em qual habilidade utilizarei os materiais.



O professor irá perceber que a alfabetização matemática está dentro da sua proposta de materiais para alfabetização de leitura e escrita, e isso permitirá que os possíveis entraves em relação a matemática seja aos poucos substituídos pelo prazer de ensinar e aprender matemática!

Elaborado por:


Professora Kelly Cristina, Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional, Especialista em Neuroaprendizagem, Neuropsicóloga formada CDN-UNIFESP. Faz parte da equipe diretiva pedagógica da ApliquEducação.


Acredita que a Educação e a Neurociência devem caminhar juntas, o bem-estar favorece a aprendizagem e por meio dos jogos pedagógicos essa união acontece de forma prazerosa e eficaz!











Leitura crítica e edição: Joseane Terto

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