• Joseane Terto

Os gêneros textuais e alfabetização


A linguagem é uma atividade humana e faz parte de um processo de interação entre os sujeitos, esta se materializa em práticas sociais, com objetivo e intenção.


Por isso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe o ensino numa perspectiva enunciativo-discursivo, com centralidade no texto como unidade de trabalho e considerando sempre a função social dos textos utilizados.


Diante desta proposta, o professor deve trabalhar com seus alunos sempre a partir de textos reais, com situações de leitura e escrita que os levem a perceber a funcionalidade do texto.


O que significa trabalhar contextos de letramento que valorizem o trabalho com diferentes gêneros discursivos, tais como: lista de compras, bilhetes, folders, receita culinária, parlendas, cantigas e outros.


Tudo que falamos ou escrevemos se dá por meio de gêneros. Todas as nossas falas, sejam cotidianas ou formais, estão articuladas em um gênero do discurso.


“Cada texto se encontra encaixado em atividades sociais estruturadas e depende de textos anteriores que influenciam a atividade e a organização social” (Bazerman, 2005, p.22)


Podemos afirmar que, os gêneros discursivos permeiam nossa vida diária e organizam a nossa comunicação.


Para evidenciar esta proposta, a BNCC apresenta o trabalho desenvolvido em articulação com os campos de atuação que representam, na organização do documento, papel de eixo estruturante tanto quanto as práticas de linguagem. Com isso, ressalta a característica de contextualizar a construção do conhecimento.


Para os anos iniciais, são quatro campos: (1) vida cotidiana; (2) artístico-literário; (3) práticas de estudo e (4) pesquisa e vida pública.

A BNCC refere-se a cada campo de atuação como:


1) Vida Cotidiana: refere-se à participação em situações de leitura e escrita em que o contexto ocorre por meio de atividades vivenciadas no dia a dia de crianças nos ambientes doméstico e escolar.


Os gêneros, nos anos iniciais, são mais simples e podem incluir: listas (de chamada, de ingredientes, de compras etc.), bilhetes, convites, cartas, regras de jogos e brincadeiras, receitas, instruções de montagem etc.

2) Artístico-literário: relativo a situações de leitura, fruição e produção de textos literários e artísticos.


Exemplos: contos, poemas e outros textos em verso, poemas visuais, tirinhas, quadrinhos e fábulas, dentre outros. Especial importância para os gêneros ligados a brincadeiras infantis, como lenga-lengas, parlendas, cantigas de roda etc.

3) Estudo e pesquisa: envolve situações de leitura e escrita que proporcionem ao aluno conhecer textos expositivos e argumentativos, linguagens e práticas relacionadas ao estudo, à pesquisa e à divulgação científica.


Exemplos: enunciados de tarefas escolares, diagramas, relatos de experimentos, entrevistas, verbetes de enciclopédia infantil, enquetes, registros de experimentações e infográficos.

4) Vida pública: prevê a participação em situações de leitura e escrita, especialmente de textos das esferas jornalística, publicitária e reivindicatória, contemplando temas que impactam a cidadania e o exercício de direitos.


Exemplos: fotolegendas, manchetes e lides em notícias, álbum de fotos digital noticioso, slogans, anúncios publicitários e textos de campanhas de conscientização destinados ao público infantil, cartazes informativos, avisos e folhetos, regras e regulamentos que organizam a vida na comunidade escolar, comentários em sites para crianças. 

Sendo assim, o trabalho com gêneros textuais contribuem para que as crianças avancem em seus conhecimentos letrados, mas também percebam:


1) a organização composicional do texto,


2) suas finalidades e usos sociais,


3) as esferas de circulação,


4) desenvolva estratégias de compreensão leitora,


5) adquiram conhecimentos convencionais da escrita (que se escreve e se lê, na língua portuguesa, da esquerda para a direita e de cima para baixo),


6) reconheça o papel do autor e do ilustrador.



Enfim, uma série de conhecimentos provenientes do alfabetizar e letrar!



Elaborado por:



Profa. Valéria, doutora em Educação pela PUC-SP. Diretora Pedagógica na Apliqueducação onde cria e desenvolve jogos de alfabetização baseados em evidências de pesquisa por conta de sua longa e sólida experiência em sala de aula no Ensino Fundamental, incluindo o trabalho de com alunos da Educação Especial.









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